VACINA CONTRA HPV É RECOMENDADA NOS EUA PARA MENINOS DE 11 A 12 ANOS.
UTILIZAÇÃO DAS DIFERENTES VACINAS ANTIPNEUMOCÓCICAS CONJUGADAS.
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Dr. Lauro Ferreira Pinto Neto participou do 49th Congresso da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas de 20 a 23 outubro em Boston (EUA).
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Imunização previne verrugas genitais, câncer anal, displasias e lesões pré-cancerígenas anais

São Paulo, 06 de dezembro de 2011 – Especialistas do Comitê Consultivo de Práticas de Imunização dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (uma espécie de Programa Nacional de Imunização do Brasil) votaram a favor da recomendação de que meninos de 11 a 12 anos de idade sejam vacinados com a vacina quadrivalente (conhecida comercialmente como Gardasil) contra o Papilomavírus Humano (HPV). A imunização é recomendada para prevenir verrugas genitais causadas pelo HPV tipos 6 e 11 e o câncer anal causado pelos tipos 16 e 18 do vírus, displasias e lesões pré-cancerígenas anais causadas pelo HPV tipos 6, 11, 16 e 18.

O comitê também decidiu pela manutenção da inclusão da vacina quadrivalente no programa público de Vacinas para Crianças, tanto para homens como para mulheres. Além disso, recomendou que a vacina quadrivalente seja administrada em homens de 13 a 21 anos de idade que não tenham sido anteriormente vacinados ou que não tenham completado a série de três doses, e que a série de vacinação seja iniciada aos 9 anos de idade ou a critério de cada médico.

Propagação

A infecção por HPV atinge cerca de 630 milhões de pessoas no mundo. Estima-se que os tipos 16 e 18 do vírus causem de 40% a 50% dos cânceres vulvares e 70% dos cânceres vaginais, bem como 85% dos casos de câncer anal nas mulheres. A infecção pelo HPV também está relacionada a cerca de 40% dos casos de câncer de pênis e de 70% a 80% dos de câncer anal em homens. Para se ter uma ideia, oito em cada dez indivíduos sexualmente ativos entrarão em contato com o vírus no decorrer de suas vidas.

Nos Estados Unidos, estima-se que de 75% a 80% dos homens e mulheres serão infectados pelo HPV durante a vida. Para a maioria, o HPV desaparece espontaneamente. No entanto, para aqueles que não eliminam determinados tipos, o HPV pode causar câncer de colo do útero, vaginal e vulvar em mulheres, além de câncer anal e verrugas genitais em homens e mulheres. Não existe uma forma de se prever quais pessoas eliminarão ou não o vírus.

O HPV pode permanecer no organismo sem qualquer sintoma por meses e até anos. Os tumores malignos, por exemplo, podem demorar de 10 a 20 anos para se desenvolver. A probabilidade de contágio também é alta, varia de 50% a 80%, e o vírus pode ser transmitido mesmo que esteja latente (sem manifestação visível).

A maioria dos tipos de HPV não causa nenhum tipo de sintoma e desaparece espontaneamente sem tratamento, o que significa que muitas pessoas não sabem que são portadoras. Por esse motivo, o HPV extrapola o controle tradicional das DSTs. Pode propagar-se por meio de contato com mão, pele, roupa e objetos, embora seja menos provável. Nesse cenário, é extremamente importante levar em consideração outros meios de prevenção.

Sobre a vacina quadrivalente

A vacina quadrivalente contra o HPV é a única que protege contra quatro tipos do papilomavírus humano (6, 11, 16 e 18). Atualmente é indicada, no Brasil, para meninas e mulheres de 9 a 26 anos para a prevenção de cânceres de colo do útero, da vulva e da vagina causados pelo HPV tipos 16 e 18, das verrugas genitais provocadas pelo HPV tipos 6 e 11 e das lesões pré-cancerosas ou displásicas causadas pelo HPV tipos 6, 11, 16 e 18.

Em maio de 2011, a vacina quadrivalente contra o HPV também foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a prevenção de verrugas genitais causadas pelo HPV 6 e 11 em meninos e homens de 9 a 26 anos. A aprovação tem como base estudo publicado no New England Journal of Medicine, que comprova a redução de 90% das lesões genitais externa.

O estudo clínico, que acompanhou 4.065 homens de 16 a 26 anos em 18 países, comprova a eficácia da vacina contra lesões relacionadas aos tipos 6,11, 16 ou 18 do HPV. O objetivo da pesquisa era demonstrar que a vacina quadrivalente contra o HPV reduz a incidência de lesões genitais externas, comparado ao grupo placebo. A mesma investigação comprova a eficácia da vacina na prevenção de câncer anal em homens e mulheres para a prevenção de neoplasia intraepitelial (lesão precursora de câncer) anal causada pelos tipos de HPV 16 e 18 em homens e mulheres de 9 a 26 anos de idade.

Em dezembro de 2010, a vacina quadrivalente foi aprovada nos Estados Unidos pelo Food and Drug Administration para a prevenção de câncer anal causado por HPV tipos 16 e 18 e para a prevenção da neoplasia intra-epitelial anal em homens e mulheres de 9 a 26 anos de idade.

A vacina quadrivalente contra o HPV é administrada em três doses, com aplicação intramuscular. A primeira pode ser aplicada em data escolhida, a segunda dose é administrada dois meses após a primeira e a terceira dose, seis meses após a primeira. O impacto da vacinação em termos de saúde coletiva se dá pela vacinação de um grande número de mulheres em todo o mundo, com a ‘imunidade de grupo’, ou seja, diminui a transmissão entre as pessoas. O papilomavírus humano também causa lesões mutilantes das genitálias feminina e masculina.

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